10/12/10

Ouve! Tu sim, tu mesmo (só para reforçar a ideia de que é para um sujeito do sexo masculino) se estás aí desse lado a ouvir-me de copo na mão a andar aos s's, num estado lastimável, vergonhoso e que me deprime por esta indiferença que me dás pena: não corras, nem muito menos caias nessa armadilha que te espera, que te alarma para os perigos da vida que escolheste. As tuas lindas meninas já não te deixam em paz, dão-te sorrisos em sinal de: 'vem cá que eu sou fácil, basta olhares para mim 5 minutos, apreciares a minha beleza e a minha bela bebedeira e estou disponível para ti durante uma noite.''
Concentra-te nisso e na possibilidade que tens daqui a uns tempos, (se atingires o raciocino de uma pessoa minimamente inteligente) que isso não é de todo servires-te da boémia para ser-se quem não é, só porque num dia te sentes mal e no outro continuas a sentir-te ainda pior. Eu sei, conheço-te tão bem.. tanto ou ainda melhor do que me conheço a mim (que já se torna fácil, dadas certas circunstancias) e tenho consciência que por detrás desse lado inconsciente imparável está a pessoa mais sensível que conheci até ao dia de hoje, a fundo. Adoro isso, a forma como te escondes de ti mesmo e dos outros mas, no fim estás a vista de meio mundo que te olha todo de forma igual e despreocupada.
Ainda me lembro (oh, se me lembro) daquelas tarde infernais no teu quarto de preciana meia fechada, porta encostada com o trinco por trancar, cama meia desfeita, os nosso cigarros em cima da tua secretária, as tuas séries favoritas nas tuas prateleiras, as minhas fotos estampadas no teu rosto. Esse (eras) tu. A tua personagem de que eu mais gostava e recordo, por vezes, cada vez menos, diga-se de passagem.
O que é certo, é que as minhas palavras contigo, gastam-se. O coração, não. Esse tenho para dar e vender, no que toca a sentimentos. (Mentira).
Mas sabes o tempo é escasso, enfraquece e começa a andar para a frente e descarrega no que está para trás num esquecimento que se torna voluntário e descontrolado. Não sei se foi por isso que da última vez que me beijaste, não senti 1/3 do que senti na primeira vez que te vi; (e foi só um olhar, de relance, de pouca importância, de raspão como quem não quer a coisa).

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